Hoje eu li as primeiras páginas de "A Arte da Performance", do Jorge Glusberg, que, pelo menos por enquanto, é meu guia de estudos sobre performance para o fim de semana. Nao so de performance art, mas de arte como um todo. Porque, pelo menos por enquanto, o que mais me interessa é entender as origens da performance, como foi pensada, por que alguem um dia resolveu usar o corpo como arte e em que época. Então não foi uma leitura propriamente sobre performance, mas sim sobre o que veio antes.
Assim como imagino encontrar em outros livros de historia da arte, esse livro faz assumptions q, mesmo eu nao entendendo muito sobre arte, me parecem subjetivas demais. Enfim, pode ser uma conclusao precipitada. O livro nao é ruim, faz conexoes interessantes, e serviu como uma base para uma viagem bem legal por muita informação e vídeos que busquei na Internet. Amanhã devo comprar o livro da Melin, e ver se la tem algo mais objetivo para o que eu preciso no momento.
De certa forma, a leitura de hoje confirmou de onde vem meu interesse pela performance, que é na vontade de encontrar uma forma de expressão artística que não fique na parede (nao necessariamente, e nao convencionalmente, pelo menos) que seja viva, que provoque, mais proativa, questionavel e, por que nao, vulneravel.
Quero que a minha arte, assim como o Yves Klein, se jogue da janela e caia na cabeça das pessoas, agressivamente ou não, mas que seja colocada em debate, que cause um estranhamento que leve a um debate. Quanto a se esse debate deve ser, digamos, "racional", é algo que eu ainda não sei. Pelo menos por enquanto, estou interessado em trabalhar em projetos que nao explorem necessariamente questionamentos politicos (nao quero mais fazer performance sobre guerra, fez sentido para mim naquele momento, mas nao faz mais agora). E mesmo a performance que fiz sobre guerra, estava muito mais ligada a uma experiencia pessoal em relacao a guerra do que a guerra propriamente dita, se encararmos guerra como tema de telejornal, como jogo politico entre nacoes. Tinha muito mais a ver com o bla bla bla desinformado sobre guerra, ou seja, como o proprio nome diz, sobre nao sabermos porra nenhuma sobre guerra, sobre nao entendermos o que esta acontecendo, sobre passividade e, numa segunda analise, ela tambem representou pra mim um trabalho sobre conflitos menores (ou maiores, dependendo do ponto de vista), como aqueles que, conscientemente ou não, nutrimos em nossos pequenos circulos familiares e de amizade.
Sobre nossa incompetencia em promover a paz mesmo dentro da gente. E eu gostei muito de me colocar como alvo do proprio questionamento.
Eu nunca, em hipotese alguma, pretendo fazer uma performance que acuse o outro, nao por educacao ou seja la o que for, porque, na verdade, o outro que se foda. Me interessa muito a idéia de olhar pra dentro de mim mesmo. Acredito que isso é algo já bem definido no meu trabalho, pelo menos a médio prazo.
Outra coisa que percebi muito claramente hoje, enquanto lia o livro e tambem enquanto buscava referências na Internet, é a de que meu trabalho tende a ser um grito. Tende a ser extremo, nao sei se fisicamente ou nao, mas extremo em sua essencia. Eu quero lidar com a minha dor de barriga constante em relacao a tudo e todos, principalmente eu mesmo. Quero explorar minha sensibilidade, minha sensualidade, meus sentidos em todos os sentidos (nao é frase feita, é isso mesmo que eu pretendo fazer). Pretendo explorar meus sentidos junto com as pessoas. Que elas me toquem ou que eu as toque. Tocar paredes, enfim, tocar, sentir, cheirar.
Eu gosto muito da ideia de videoperformance, mas pelo menos por enquanto a performance pura me interessa mais, já que o que quero é a experiência do momento, a presença, o risco, o contato direto, invasivo ou nao, com os outros.
Voltando à coisa do grito, percebi que a performance surgiu, entre outras coisas, como uma tentativa de quebrar formas antigas de arte, de tentar uma nova arte, mais participativa, mas viva, um ar fresco. E quando percebo a relação disso tudo com a violência do futurismo e do dadá, muita coisa se encaixa. Eu quero a violência, o confronto em relação aos meus sentidos. Minha arte não quer ser bem comportada. Quer ser vulnerável.
Quero ultrapassar a fronteira do bom senso, desde que isso faça sentido para mim. Não ao choque pelo choque. Isso não é arte. Sim ao confronto que faça sentido para mim. Sim a mexer na ferida, cavar a sujeira que existe, não criar uma de graça.
Por isso acho que minha arte será sim vista como "questionavel" por muitos. E eu quero viver essa experiencia, me deixar ser invadido pela coisa. Deixar ela mexer comigo e convulsionar, sem medo, em praça pública. Não ter medo de não fazer sentido, desde que isso faça sentido. Mas nunca de graça. Nunca pela espetáculo. É na tripa, na entranha, no sangue.
Enfim, resumindo, finalmente entendi por que sou um artista da performance e porque quero continuar sendo. É uma necessidade quase fisiológica, não consigo pensar em outra coisa a não ser me expressar dessa forma.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário